A pessoa com deficiência na minha vida
O fazer docente me aproximou muito desse tema. Antes da minha formação como educadora, meu convívio era restrito a alguns colegas nas várias turmas que estudei. As lembranças de sussurros e olhares de pena vindos de adultos também são recorrentes. Isso há 20 anos atrás. Da minha visão de aluna até a visão de professora, tivemos muitas mudanças positivas nessas décadas que se passaram. Pude presenciar discussões importantes nesse âmbito, o olhar de pena se transformar em um olhar de incentivo, principalmente pelos professores de educação especial com quem tive o prazer de trabalhar nos últimos anos.
Na educação básica, pouco convivi além do fundamental um, acredito que tendo em vista no passado a maior parte dessas crianças e jovens receberem sua educação em escolas especializadas. Na graduação,a convivência já foi maior. Convivi com cadeirantes, pessoas com nanismo, com problemas de formação congênitas, e nesse momento a análise sobre a aceitação dessas pessoas na sociedade começou a ser melhor fundamentada. A acessibilidade para essas pessoas, principalmente cadeirantes, era muito dificultada. Mesmo com acesso a rampas, não era em todos os lugares, e por muito tempo vários dos circulares internos não eram adaptados. Quando fui fazer iniciação científica na área de genética, convivi com minha orientadora, que apresentava várias restrições à locomoção, assim como também tinha uma outra professora cadeirante no mesmo prédio.
Como professora, passei por situações bem contrastantes. Em uma escola que trabalhei, um aluno autista foi colocado em uma sala menor, segundo a escola, para ter um melhor desenvolvimento. Porém, o aluno estava em uma sala que não foi feito um trabalho de aceitação com os colegas, e eu não percebi avanços significativos nesse processo. O aluno ficava estressado, cansado, e a aprendizagem era dificultada. Em outra escola que trabalhei, já percebi uma situação oposta. A sala sempre tentava incluir o aluno nos jogos, ele sempre estava em dupla com colegas. Foi realizado um trabalho com a turma, explicando o quadro do aluno, quais as atitudes que os amigos poderiam ter para ajudá-lo. Nesse ponto comecei a perceber o verdadeiro impacto que ações inclusivas podem ter em uma sociedade.
Tive outros alunos, tanto em ensino fundamental quanto na EJA, e percebo que a inclusão ela traz benefícios para todos os envolvidos. Assim como o aluno a ser incluído pode desenvolver habilidades que ele não teria isolado em uma escola especial, as pessoas que convivem aprendem um novo olhar, aprender a se relacionar com o mundo de forma mais plural. A inclusão me mostrou a importância dos diferentes olhares, das diferentes vivências, de que a diversidade é uma vantagem para todos. E o primeiro passo para que os olhares de estranhamento e de pena sejam substituídos por aceitação.
Para finalizar, coloco um vídeo abaixo, feito para as paraolimpíadas. Acredito que quando trabalhamos com inclusão, devemos focar no desenvolvimento de potencialidade, e não nos paralisarmos por limitações.